Em abril, desmatamento aumentou 125% em Mato Grosso

Estado respondeu por 26% da área derrubada na Amazônia Legal, saltando de 60 km2 para 135 km2

Por portaldapoliticamt em 20 de maio de 2020

No mês passado, a degradação ambiental foi detectada em Mato Grosso (77%), Pará (16%) e Rondônia (7%)

Mato Grosso ocupou o segundo lugar no ranking dos estados que mais desmataram a Amazônia Legal, em abril deste ano, se comparado ao mesmo período de 2019.

No mês passado, o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), detectou 529 quilômetros quadrados (km2) de devastação da floresta amazônica – um aumento de 171% em relação a abril de 2019, quando o desmatamento somou 195 km2.

Do total, o Estado respondeu por 26% da área derrubada, saltando de 60 quilômetros quadrados derrubados para 135 km2 no mesmo espaço de tempo, o que corresponde a um incremento de 125%.

Na região, o total desmatado em abril é o maior dos últimos dez anos, cenário que ocorre em meio à recomendação de distanciamento social devido à pandemia do novo coronavírus, que causa a Covid-19.

Conforme os dados do Imazon, o Pará voltou ao topo do ranking dos estados que mais desmatam na região, respondendo por 32% do desflorestamento, seguido de Mato Grosso (26%), Rondônia (19%), Amazonas (18%), Roraima (4%) e Acre (1%).

Considerando o período de janeiro a abril de 2020 o desmatamento acumulado é de 1.073 quilômetros quadrados, o que representa um aumento de 133% em relação ao mesmo período de 2019, quando a devastação atingiu 460 km2.

Já as florestas degradadas na Amazônia Legal somaram 62 quilômetros quadrados em abril de 2020, o que representa uma redução de 39% em relação a abril de 2019, quando a degradação detectada foi de 102 km2.

No mês passado, a degradação foi detectada em Mato Grosso (77%), Pará (16%) e Rondônia (7%).

Vale destacar que o desmatamento é um processo de conversão da floresta para outros usos da terra, como pastagens, áreas de cultivos agrícolas, mineração, ou mesmo, para fins de urbanização.

Para isso, é necessário a remoção completa da cobertura florestal original, enquanto que a degradação florestal remove parcial e temporariamente essa cobertura.

Ainda no Estado, em se tratando da degradação, o aumento foi de 586%, saindo de 07 km2 para 48 km2, no mesmo período.

O levantamento mostra ainda um incremento no desflorestamento no período de agosto a abril de 2019 se comparado a agosto a abril deste ano.

Neste espaço de tempo, a derrubada da mata em território mato-grossense sofreu uma variação de 27%, saltando de 502 km2 para 638 km2 entre um período e outro.

GEOGRAFIA – Quanto à geografia do desflorestamento, em abril deste ano, a maioria (60%) da devastação, ocorreu em áreas privadas ou sob diversos estágios de posse.

O restante do desmatamento foi registrado em unidades de conservação (22%), assentamentos (15%) e terras indígenas (3%). No Estado, Colniza (1.065 quilômetros de Cuiabá) aparece na 6ª posição do ranking entre os 10 municípios com situação mais crítica. Por lá, foram destruídos 22km2.

Já Altamira (PA) aparece em primeiro com 72km2 derrubados, seguido São Félix do Xingu, com 44km2 desmatados.

Ainda no Estado, preocupa a Reserva Guariba Roosevelt, que fica em Colniza. Na unidade, foram derrubados 4km2 da mata.

OPERAÇÃO – Para conter o avanço do desmatamento e das queimadas, há uma semana, o Exército Brasileiro também lançou a operação “Verde Brasil 2” que atuará em conjunto com a operação “Amazônia Arco Norte”, desencadeada pelo Governo do Estado.

As Forças Armadas vão atuar na Amazônia Legal, que engloba a faixa de fronteira, as terras indígenas, unidades federais de conservação ambiental e em outras áreas federais em território mato-grossense.

O objetivo é zerar, se possível, o desmatamento e os incêndios ilegais. O Exército tem cerca de 2.700 homens em Mato Grosso que podem ser empregados a ação, além de reforços de Campo Grande, (MS) e Brasília (DF).

Durante o lançamento, o governador Mauro Mendes (DEM) requisitou a parceria com o Exército, por meio da Garantia da Lei e da Ordem (GLO), o que foi autorizada pela presidência da República.

Assim, as forças de segurança estadual e federal poderão atuar em conjunto tanto em terras federais quanto nas estaduais. Por meio desse alinhamento entre as duas esferas de governo, o enfrentamento ao crime terá uma força maior em Mato Grosso.

“Quem apostar na impunidade vai se dar mal e terá graves consequências. Estamos unidos, Governo Federal, Governo Estadual, todas as forças de segurança estadual e federal para que possamos dar resposta efetiva em prol do meio ambiente e da economia brasileira que depende muito da nossa imagem ambiental perante o mundo”, disse Mendes na ocasião.

Mendes ressaltou ainda que o Governo tem orçamento estimado em quase R$ 100 milhões para investir na ação. “Parte dos recursos são do acordo de leniência com a Petrobras, mas grande parte são aportados pelo governo do estado com homens, em diárias, em equipamentos, combustível e viaturas. Não pouparemos esforços para manter a legalidade na área ambiental no nosso estado”.

Além disso, caso haja apreensões de equipamentos, o Estado e o Exército vão agir dentro da lei. Se necessário, os equipamentos poderão ser destruídos ou removidos para dar a aplicação correta e adequada, na forma da lei.

Foto: Imazon

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Fonte: Joanice de Deus - Diário de Cuiabá

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