Luxemburgo evita rivalizar com Flamengo, cita taças no Palmeiras e diz: “O importante é o que virá”

Técnico volta a falar sobre o futebol moderno: “Não sou contrário”

Por portaldapoliticamt em 20 de dezembro de 2019

Vanderlei Luxemburgo, novo técnico do Palmeiras, durante sua apresentação — Foto: Tiago Queiroz/Estadão ConteúdoVanderlei Luxemburgo, novo técnico do Palmeiras, durante sua apresentação

 

O Palmeiras apresentou Vanderlei Luxemburgo nesta sexta-feira. Contratado para substituir Mano Menezes após a frustrante negociação com o argentino Jorge Sampaoli, o treinador recebeu das mãos do presidente Maurício Galiotte uma camisa 5, em referência à quinta passagem pelo clube.

“É um prazer muito grande estar de volta a São Paulo e ao Palmeiras, onde tenho uma história, conquistas importantes, mas essas conquistas foram importantes para estar na história do clube, no meu currículo, mas o mais importante é o que virá pela frente – disse o treinador, que conquistou quatro títulos paulistas (1993, 1994, 1996 e 2008), dois brasileiros (1993 e 1994) e o Rio-São Paulo de 1993.

– Nossa proposta é o que vamos fazer daqui para frente, com novas conquistas. Esse é o objetivo principal. Passado é passado, presente é presente, e futuro é futuro. Vamos começar o trabalho com os jogadores no dia 6, em busca de mais importantes conquistas.

Luxemburgo passou a entrevista coletiva evitando declarações polêmicas. Sempre sorridente, o técnico não quis falar sobre o planejamento para contratações e saídas de jogadores. Escorregou até para falar sobre uma possível disputa com o Flamengo por títulos, mas não fugiu quando foi perguntado sobre o futebol moderno.

– Eu não sou contrário à modernidade. Isso aqui (a Academia) é muito moderna, mas quem deu o pontapé inicial foi lá em 2008, participei de diversas reuniões. O que a modernidade presta de auxílio para nós? Ela abastece para ter uma entrevista melhor, um material para fazer um vídeo melhor, mas você vai melhorar sua qualidade ou adquire experiência com a longevidade? Você se adapta ao moderno, estuda, acompanha o que está acontecendo – comentou.

– Analisando os esquemas táticos de hoje, a intensidade, o dinamismo do jogo teve uma mudança muito grande, pois teve um avanço na modernidade. O que está aqui atrás (na Academia) é o que oferece isso. A maior revolução tática no mundo foi feita em 1970, por um brasileiro. Jogávamos com três zagueiros sem ter três zagueiros. Jogávamos com dois volantes que nunca foram marcadores.

Estilo de jogo

Questionado sobre o estilo de jogo que pretende implantar no Palmeiras, Luxemburgo citou o “DNA ofensivo” que já havia sido apontado por Galiotte em entrevista exclusiva publicada na última quarta-feira.

– Quando o futebol brasileiro não foi ofensivo? O futebol brasileiro sempre teve um DNA ofensivo. Estamos muito preocupados em esquema tático, números, mas o futebol do Brasil é empírico, diferente, de mudar de posição. Se perdermos essas características, vamos ficar iguais robôs – comentou.

– As pessoas estão só se preocupando com que esquema tático vai jogar, se vai ser reativo… Tudo isso, nós sabemos como funciona. Eu tenho um clube de DNA de Academia. Mas isso não quer dizer que eu não tenho um time técnico, que não possa ser extremamente defensivo. A marcação começa no ataque.

No primeiro de seus dois anos de contrato, o técnico disputará Florida Cup, Campeonato Paulista, Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro e Copa Libertadores.

O torneio sul-americano, inclusive, é um sonho de Luxemburgo. O treinador vai para a terceira edição da competição à frente do Palmeiras. Veja aqui como foram as outras disputas.

Veja mais tópicos da entrevista:

Vai ter reformulação?
 Outra (resposta) que vou ficar devendo, querem que eu responda coisa que não faço, mercado ativo para caramba. Se eu falar o nome de um jogador aqui, o empresário está vendo, de R$ 1 milhão vai para R$ 10 milhões. O que será feito vai ser noticiado, ninguém vai esconder nada. Não adianta falar se vou mandar fulano (embora). No momento só de eu falar hoje já vão cair de pau.

Você quer mostrar que ainda pode vencer?
– Estou com gana de dar satisfação ao Galiotte e ao torcedor do Palmeiras. Quero fazer o que sempre fiz, que é ganhar. Você não tem que dar justificativa a ninguém. O trabalho no Vasco foi sensacional pela proposta que me contrataram, que não era para cair. Aqui no Palmeiras a expectativa é de grandes conquistas. Os outros clubes também investem. A cobrança que fazem no Palmeiras é dentro da grandeza do Palmeiras. Não estou preocupado, vão me cobrar sempre. Se eu não ganhar o Paulista já começa tudo errado.

Pretende usar alguma esquema tático em específico?
– Vou trocar essa pergunta para você. Existe 4-3-3, 4-2-3-1 ou 4-4-2. O 4-2-3-1 é um 4-3-3 ou um 4-1-4-1. Como fica isso aí? (jornalista riem na sala de imprensa). Isso vou fazer do jeito que eu quiser. Não vou responder porque, se eu botar um volante e dois meias, faço três atacantes. Eu mudo sem mudar os atacantes. Essa discussão de 4-3-3, 4-2-3-1, está muito ávida, nós (brasileiros) ganhamos porque fazemos coisas diferentes, driblamos, por isso ganhamos mais do que os outros. Quando dá o pontapé inicial, adeus 4-2-3-1, muda tudo, o cara da direita vai pra esquerda. Vamos dizer o Palmeiras. O Dudu muda toda hora da direita para a esquerda, aí daqui a pouco tava por dentro, eu quero que não perca isso, a essência do Brasil. Eu acho que tem ser uma rotação e intensidade grande da equipe.

Sobre técnicos estrangeiros no Brasil
– Essa discussão é eterna. O (Jorge) Jesus ganhou agora. Se você pegar nos últimos anos, qual estrangeiro ganhou aqui no Brasil? É um mérito dele hoje, mas não quer dizer que vai ganhar ano que vem, que um brasileiro vai ganhar. Foi legal colocar a idade dele, está pertinho (da de Luxemburgo), mas ele tem cabelo branco, eu nem pinto (risos). O Felipão ganhou, o Carille ganhou, o Tiago Nunes ganhou, que é mais jovem. Alguém vai ganhar. A gente dá os parabéns ao excelente trabalho que ele fez. O Sampaoli também fez um bom trabalho. Dar os parabéns e vida que segue, não tem que ter comparação. Quantos times bons tivemos? Só aqui no Brasil, ao meu ver, tivemos três Academias. Teve o Flamengo campeão do mundo. Agora é o Flamengo com o Jesus. Mas o Brasil tem uma fartura de grandes equipes. Graças a Deus veio o Jesus e Sampaoli aqui para obrigar essa discussão aqui, isso é legal.

Vai usar Felipe Melo na zaga?
– Primeira coisa é uma conversa com ele, ver como ele se sente. Se não sentir, não tem como fazer uma coisa que ele não quer. Quando cheguei no Rincón e falei que o colocaria de volante, ele perguntou se conseguia, e eu falei que ia se tornar um dos melhores. E se tornou. Mas não dá para responder agora.

Como ficam Deyverson e Lucas Lima?
– Eu vou ficar devendo essa aí. Eu não vou falar, rapaz, fica com a tua rede social (risos).

Sobre as categorias de base
– Primeiro por mérito e acompanhamento diário. A minha história é de botar moleque para jogar. A categoria de base é muito importante dentro do clube. O Palmeiras vem mostrando muitos jogadores e ganhando na base. Estarei atento. E já conheço. Sempre assisto ao Sub-20 ganhando, o Palmeiras tem bons jogadores, que serão utilizados no profissional, será aberta uma janela importante para eles mostrarem o talento. Agora, seguir ou não, não depende de mim, mas sim do jogador.

Vai rivalizar com o Flamengo?
– Eu não vou rivalizar com o Flamengo, vou rivalizar com o futebol brasileiro, tenho que ganhar dos clubes que vão disputar comigo a competição. Posso perder para o Ceará, para qualquer equipe, não vou direcionar. Vou direcionar para o Palmeiras virar a melhor equipe do Brasil. O Flamengo só estará incluído na análise que vamos fazer.

 

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Fonte: Fabricio Crepaldi e Tossiro Neto

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